Um novo teste pode ser incorporado à sua lista de exames anuais se você tem
30 anos ou mais. É um exame de sangue que mede a quantidade de óvulos que ainda
possui ou, como preferem os médicos, sua reserva ovariana. Até pouco tempo, a
idade era a principal informação para estimar por quantos anos você poderia
adiar a decisão de engravidar.
Hoje não basta. É preciso saber quantos óvulos
ainda tem: uma mulher pode até ser jovem, mas apresentar um problema de saúde,
como menopausa precoce, e ter poucos óvulos, explica Eduardo Mota, especialista
em reprodução assistida da Clínica Huntington (SP).
A discussão sobre a necessidade do novo exame ganhou força dentro da
Universidade Federal de São Paulo, uma das melhores do país. Alguns
especialistas acreditam que todas as mulheres com mais de 30 anos que ainda
planejam ter o primeiro filho deveriam fazê-lo como segurança.
A indicação é
consenso para as que vão passar por um tratamento para câncer e as que têm
apenas um ovário. Os especialistas que são contra a adoção indiscriminada do
teste argumentam que ele pode adiar ainda mais a maternidade e causar problemas
– as chances de uma gestação de risco aumentam e os óvulos perdem a qualidade de
acordo com a idade.
“Se o teste de uma mulher de 31 anos mostra que tem pouca
reserva ovariana, ela pode engravidar logo ou optar pelo congelamento de óvulos
(nessa idade a qualidade é boa). Se for em uma mulher de 38 anos, a situação é
mais delicada”, diz Selmo Geber, diretor no Brasil da Rede Latino-Americana de
Reprodução Assistida.
Outro debate se refere à escolha do teste de sangue. O mais moderno deles
chama-se antimülleriano (AMH, um hormônio), novidade no país. O AMH é produzido
pelas células que recobrem os óvulos imaturos.
Quanto mais desse hormônio a
mulher tiver, maior a reserva dela. A coleta é feita aqui, mas só laboratórios
estrangeiros fazem a análise. O resultado chega em até um mês. O exame e o envio
custa cerca de R$ 400 e o convênio não cobre. A crítica é que ele ainda não
possui um padrão bem definido que deixe claro se o resultado é bom ou ruim. Cabe
ao médico interpretá-lo.
Outro hormônio que permite essa avaliação é o FSH
(Hormônio Folículo Estimulante). Ele vai da hipófise (uma glândula do cérebro)
para o ovário, que então libera o óvulo. Se a produção de FSH é grande quer
dizer que mais esforço o organismo faz para conseguir um óvulo e, se há muito
esforço, significa que há poucos óvulos.
Se o resultado do teste for maior que
sete, a reserva é boa. Acima de 15, é ruim. Esse teste é coberto pelo plano de
sáude mas só pode ser colhido no segundo ou terceiro dia de menstruação.
Converse com seu médico e veja se não é o caso de você fazer um desses exames.
Fonte Revista Crescer