Ao mesmo tempo que desejam que os meses passem rápido por causa do peso na
barriga, das dores nas costas, das noites insones, dos pés inchados, as grávidas
também não querem se desfazer da barriga, das atenções que essa condição
determina. E isso também significa passar pelo parto, sempre uma fonte de
preocupação para mães. Essa ambigüidade acaba atenuada pelo próprio bebê. No
início do sétimo mês, embora ele esteja grande, ainda tem espaço para se
movimentar. E como se mexe! É uma delícia senti-lo, mas a sensação pode
tornar-se incômoda logo. A partir do oitavo mês, as grávidas costumam reclamar
que o bebê coloca o pé na costela, provocando dor e falta de ar. "Nessa fase, a
criança tem pouco espaço e, quando se estica, o útero encosta no fígado,
causando uma dor que a mãe interpreta como se fosse na costela", diz a
ginecologista Rosa Ruocco. Basta empurrar o bebê para o lado esquerdo que
melhora.
Os seios voltam a crescer. É provável que comecem a eliminar
colostro, uma secreção meio branca ou meio amarelada, rica em anticorpos, que
vai alimentar o bebê nos primeiros dias depois do parto.
Com o
crescimento do útero, o estômago fica mais achatado e abriga menos alimentos. Se
a grávida come demais, pode vomitar. E, se ela deitar depois de comer, pode
sentir um gosto azedo na boca. É o retorno do suco gástrico, o refluxo. Uma
forma de driblar esse incômodo é se alimentar mais vezes ao dia, em pequenas
quantidades. E evitar frituras, temperos fortes e bebidas gasosas, que
predispõem à azia.
Reta final Agora, as grávidas
parecem maratonistas. A respiração fica mais curta e freqüente. A falta de ar é
causada pela pressão do ventre desenvolvido sobre o diafragma. O crescimento do
bebê também aperta a bexiga, podendo levar a perdas involuntárias de pequenas
quantidades de urina ao tossir, correr, rir ou fazer algum esforço. A melhor
prevenção é urinar com freqüência. Cãibras são comuns no período final da
gestação e podem ser sintoma de falta de cálcio e potássio. Quando for atacada
por cãibras, massageie a parte do corpo afetada e faça alongamento.
Você
pode ainda se queixar de dor na bacia e nas costelas porque os ossos dessa
região passam por uma acomodação para o parto. "Eles se abrem um pouquinho. A
movimentação é quase imperceptível, porém dolorida ", avisa Rosa. É possível
também sentir dor nos ossos, na altura da vagina, porque o bebê vai descendo e
se encaixando. "Esse movimento pressiona os ossos do baixo-ventre causando uma
dor que se irradia pela região", explica a ginecologista. É o corpo já se
preparando para expulsar o bebê. Fique atenta aos sintomas
do trabalho de parto. Eles nem sempre são claros, resultando em ansiedade e
aumentando o mistério sobre o fim da gestação. Segundo pesquisadores da
Universidade do Texas, nos Estados Unidos, fetos de ratos liberam uma proteína
dos pulmões, desencadeando o trabalho de parto. A substância sinaliza que os
ratinhos podem respirar fora do útero. Os cientistas acreditam que em seres
humanos ocorra o mesmo. Mas não se arriscam a confirmar. Pesquisas em humanos
envolvem risco de aborto. Um preço muito alto a pagar.
Medos e
ansiedades O último trimestre também pode ser um período de temores
para muitas grávidas. Para outras, apenas de certa apreensão ou ansiedade com a
proximidade do parto. Mães de segundo filho costumam ficar apreensivas com o
futuro - dar conta das duas crianças - ou dirigem sua preocupação à reação que o
primogênito poderá ter com a chegada do irmão. Certas gestantes enfrentam o
receio do marido de machucar o bebê durante a relação sexual. "Ele acaba
rejeitando o sexo, e ela pensa que é porque está gorda", diz a psicanalista
Maria Cristina. Seja qual for sua preocupação, leve-a para o médico. Mesmo que
ele não tenha todas as respostas, você vai se sentir aliviada por conversar.
Fonte: Revista Crescer