É quase impossível descrever as inúmeras sensações de passar vinte e quatro
horas seguidas em uma maternidade. A emoção de acompanhar um parto, a agonia de
seguir uma grávida desesperada, a alegria ao ver uma família com seu novo bebê
nos braços, a comoção no momento de encarar uma mãe que perdeu uma filha e tenta
salvar a outra, a aflição de assistir o teste do pezinho, o respeito ao
constatar a dedicação da equipe médica... Tanta coisa acontece em tão pouco
espaço de tempo!
Ao chegar para a matéria, imaginei que o grande desafio
estaria em driblar o sono e o cansaço, já que seria uma noite e um dia
inteirinhos acordada, atrás de histórias especiais para reportagem. Mas o
organismo é sábio, a adrenalina é grande e eu não tinha vontade de dormir nem de
comer. Queria acompanhar cada nascimento, descobrir histórias dos bastidores do
hospital, entender o trabalho dos médicos e enfermeiras, torcer pelos desfechos
felizes de histórias complicadas.
Nas vinte e quatro horas de imersão
neste novo mundo (ainda não tenho filhos, mas um enteado de 6 anos que me ensina
tudo sobre os novos super-heróis e um afilhado de três meses que eu ganhei de
presente na mesma noite em que saí para começar esta matéria), 21 bebês nasceram
e eu pude assistir três partos: no primeiro mal deu tempo de chegar ao centro
cirúrgico, o segundo foi uma cesárea já agendada e o terceiro, um parto normal.
No começo, tudo parece meio estranho, ainda mais para quem não gosta de ver
sangue, como eu. Mas é só uma primeira impressão. Ver um parto foi uma das
melhores experiências que já tive trabalhando. Sei que é mais do que clichê
dizer que é emocionante. Mas é, vou fazer o quê? Ouvir aquele chorinho de um
recém-nascido anunciando ao mundo que chegou é delicioso e dá até vontade de
ficar lá por dias, semanas...
O clima de uma maternidade é tão bom! As
famílias fazendo festa, as portas decoradas com os mais inimagináveis enfeites,
os avôs babando nos bebês, as mães com lágrimas nos olhos durante a primeira
mamada, os pais meio sem saber o que fazer, para quem olhar, quem atender. É
claro que histórias tristes acontecem também. E quando acontecem, parecem ainda
mais pesadas. Afinal por que algumas crianças tão pequenas, tão frágeis,
precisam sofrer tanto? A UTI neonatal é um lugar que parece estar em outra
dimensão. Os pais e mães têm uma força sobrenatural, os médicos e enfermeiras
são seres especiais, e os bebês... Os bebês são de uma coragem sem limites.
Eles são minoria (ainda bem que nascem mais bebês saudáveis!), mas
chamam atenção de todos no hospital. Tanto que nossas duas fotógrafas, a Lú e a
Gi, que são amigas há tempos, quase cortaram relações para ver quem ia
registrá-los! No fim, deu tudo certo, era tanta história maravilhosa ao mesmo
tempo que uma foi acompanhar o parto normal enquanto a outra se preparava para
entrar na UTI... Além das fotógrafas, que se revezaram cada uma em um turno de
doze horas - sem contar o tempinho extra que elas fizeram questão de ficar para
poder ver o final dos casos que estavam seguindo -, foram quatro repórteres que
trabalharam seis horas cada ao meu lado.
A maratona começou com a
Tamara, seguida pela Marcela, pela Thais e pela Simone. Nenhuma delas é mãe e
ninguém tinha visto um parto na vida! Foram muitas novidades, muito aprendizado
e muita história para contar depois. Acampamos na maternidade com direito ao um
'armário da CRESCER' na sala dos médicos, colocamos incontáveis vezes aquelas
roupas verdes especiais para entrar no centro cirúrgico e vimos tantas lágrimas
de emoção que muitas vezes acabamos chorando junto. Também rimos muito, afinal
testamos desde a cama para parto normal até a cadeira de rodas do hospital!!!
Espero que você curta ler a nossa matéria na revista tanto quanto curtimos
fazê-la... E escreva-nos para contar o que achou. Boa leitura!
Fonte: Revista Crescer