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Você está em: Bem Vindo | Pr. Ubirajara Crespo


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A Viagem


Gosto de ver o casamento como uma viagem agradável que todos nós gostaríamos de fazer. Trata-se do tipo de empreendimento que todos deveriam estar dispostos não apenas a começar, mas principalmente a conduzir até o fim. Alimentar expectativas e sonhos faz parte desta viagem, mas não podemos construir um castelo nas nuvens. De vez em quando, somos assaltados pela realidade. Problemas nem sempre esperados invadem nosso lar e podem provocar uma mudança de rumo.

O relacionamento precisa ser provado pelas adversidades. Posso até mesmo afirmar com certeza que um casamento que não tenha passado por momentos difíceis ainda não se fortaleceu o suficiente.

Todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus. Alguns ingredientes que compõem as melhores receitas não têm sabor agradável quando degustados individualmente. No todo, porém, compõem pratos deliciosos e, por isso, são necessários.

Não se pode casar pensando que tudo terá sabor de sobremesa. Nesse caminho, haverá pneus furados, buracos na pista e defeitos que deverão ser resolvidos. Muitos constroem a vida conjugal sobre níveis de compromisso tão baixos que atolam na primeira tempestade. Na doença ou na saúde, na pobreza ou na riqueza; palavras, nada mais do que palavras...

Recentemente, casei meu primeiro filho. Que grande momento foi aquele! André e Mari iniciaram um caminho que Lídia e eu já estamos percorrendo há quase 30 anos. Ver a felicidade dos dois no momento da cerimônia foi uma sensação inesquecível! Se não houvesse outras razões, eu diria que só por isso valeu a pena permanecermos fiéis ao compromisso que nós, pais do noivo, assumimos um com o outro.

Até onde podemos ir?

Dizem que casamento é como carro: dependendo da quantidade de combustível colocada no tanque, ele terá uma autonomia maior ou menor. Jesus disse à mulher samaritana que ela poderia alcançar um estado de espírito tal que todas suas sedes seriam saciadas e ir mais longe do que tinha chegado até aquele instante em seus casamentos.

Expectativas geradas no espírito são saciadas; expectativas geradas na carne nem sempre são supridas. Jesus é a fonte geradora tanto dos sonhos quanto de seu suprimento.

O que mantém um casamento aceso? Qual é o combustível que lhe dá força para atingir altas quilometragens? Funcionam como aditivos os momentos de alegria, o sexo, o dinheiro, as viagens, os filhos, móveis novos e jantares a dois. O amor deve ser alimentado; caso contrário, morrerá de inanição.

O que pode provocar sujeira no carburador são elementos como mesmice, frieza, indiferença e silêncio. Tudo isso provoca corrosão e faz o combustível escoar.

Não é só de compromisso que vive um casamento, muito embora este seja, talvez, um de seus componentes mais importantes. Nessa receita, há ingredientes que somos forçados a engolir: momentos de calor, frieza, fartura, pobreza, alegria, tristeza, entendimento e desentendimento.

O que nos faz passar incólumes por todos esses sabores é a disposição de ambos para fazer os ajustes necessários. Costumo dizer à Lídia que ficaremos juntos não apenas até que a morte nos separe, mas também até que o arrebatamento nos aproxime ainda mais definitivamente.

 
Ubirajara Crespo


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