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Você está em: Bem Vindo | Carmen Monari


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Dedo: um grande inimigo?


Segundo alguns autores, a criança que não é amamentada no peito e sim na mamadeira, tem a tendência de sugar o dedo como uma necessidade de exercitação da musculatura oral. Sua fome foi saciada, porém a necessidade de sucção não. 

Mas o que dizer dos bebês, que chupam o dedo logo após o nascimento ou daqueles que já nascem com o polegar em sua boca?

De acordo com Harris (1988) a necessidade de sugar seria universa. O padrão de contato do bebê com sua mãe, logo no início, seria reproduzido pelo bebê quando está sozinho, levando o dedo á boca, tocando as mãos, pegando o cobertor. Essa é a forma que encontra de imaginar a presença da mãe.

O dedo seria então um recurso próprio e natural que sempre estaria a sua disposição.

Para Brazelton (1994) o fato de o bebê sugar o dedo ou fazer uso da chupeta não é inicialmente um hábito, mas sim um sinal positivo, pois é o próprio bebê que está tentando aliviar suas ansiedades, que também fazem parte de seu crescimento. 

O hábito se instala quando os pais, ansiosos como o comportamento do bebê tentam controlar suas atitudes, interrompendo-as no momento em que o bebê mais está precisando delas. Deveriam sim, tentar entender essa necessidade e descobrir a melhor maneira de lidar com a situação, diminuindo a necessidade do bebê e as suas  também.

Os pais não deveriam tentar imediatamente, substituir o dedo pela chupeta, alegando ser esta mais fácil de tirar e controlar. A criança quando chupa o dedo geralmente está parada. 

Dificilmente uma criança ativa chupa o dedo, pois este comportamento atrapalha suas brincadeiras.  Portanto, a chupeta poderia, ao contrário do que se pensa, trazer mais prejuízos do que o dedo, devido à freqüência do seu uso.

Conclui-se, portanto, que se a saúde mental e física da criança estiver bem, ela sugará o dedo ou a chupeta por um período de sucção fisiológica, abandonando o ato sem dificuldade. 

Se isso não ocorrer naturalmente, a persistência do hábito pode provocar alterações na oclusão dentária, deformações ósseas, posicionamento inadequado de língua e lábios, alterações na degluti cão, fala e respiração.

As conseqüências dependerão da posição que ocupam os dedos, da duração e da freqüência na repetição do hábito, do tipo de tecido ósseo sobre o qual atua e do padrão de crescimento facial.

Algumas más-oclusões resultantes podem se corrigir por si mesmas quando o hábito desaparece antes dos cinco anos, mas como proceder para retirá-lo?

Inicialmente devemos levar em conta que, se a criança tem realmente o hábito è porque tem necessidade psicoemocional deste ato e sua abrupta remoção pode induzir ao aparecimento de tendências anti-sociais muito mais difíceis de conviver do que o próprio hábito (Freud).

É necessário, portanto, uma avaliação cuidadosa do momento que está sendo vivido pela criança. Por exemplo, não se deve interferir na retirada, quando a família espera a chegada de um novo filho ou após a separação dos pais.

É imprescindível a estimulação da  sucção e mastigação para exercitar a musculatura, através do uso de canudinho e fornecimento de alimentos duros.

Pode-se tentar pintar os dedos ou as unhas ou ainda trocar por um objeto desejado.

Seja qual for a técnica utilizada, nunca devemos esquecer a conscientização da criança e o respeito com que ela merece ser tratada. Quando empregamos castigo ou outras medidas severas  e absurdas contra suas atividades, estamos castigando algo que faz parte dela. Em certo sentido, o que estamos  rejeitando é  a própria criança.



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