Segundo alguns autores, a criança
que não é amamentada no peito e sim na mamadeira, tem a tendência de sugar o
dedo como uma necessidade de exercitação da musculatura oral. Sua fome foi
saciada, porém a necessidade de sucção não.
Mas o que dizer dos bebês, que
chupam o dedo logo após o nascimento ou daqueles que já nascem com o polegar em
sua boca?
De acordo com Harris (1988) a
necessidade de sugar seria universa. O padrão de contato do bebê com sua mãe,
logo no início, seria reproduzido pelo bebê quando está sozinho, levando o dedo
á boca, tocando as mãos, pegando o cobertor. Essa é a forma que encontra de
imaginar a presença da mãe.
O dedo seria então um recurso
próprio e natural que sempre estaria a sua disposição.
Para Brazelton (1994) o fato de o
bebê sugar o dedo ou fazer uso da chupeta não é inicialmente um hábito, mas sim
um sinal positivo, pois é o próprio bebê que está tentando aliviar suas
ansiedades, que também fazem parte de seu crescimento.
O hábito se instala
quando os pais, ansiosos como o comportamento do bebê tentam controlar suas
atitudes, interrompendo-as no momento em que o bebê mais está precisando delas.
Deveriam sim, tentar entender essa necessidade e descobrir a melhor maneira de
lidar com a situação, diminuindo a necessidade do bebê e as suas também.
Os pais não deveriam tentar
imediatamente, substituir o dedo pela chupeta, alegando ser esta mais fácil de
tirar e controlar. A criança quando chupa o dedo geralmente está parada.
Dificilmente uma criança ativa chupa o dedo, pois este comportamento atrapalha
suas brincadeiras. Portanto, a chupeta
poderia, ao contrário do que se pensa, trazer mais prejuízos do que o dedo,
devido à freqüência do seu uso.
Conclui-se, portanto, que se a
saúde mental e física da criança estiver bem, ela sugará o dedo ou a chupeta
por um período de sucção fisiológica, abandonando o ato sem dificuldade.
Se
isso não ocorrer naturalmente, a persistência do hábito pode provocar
alterações na oclusão dentária, deformações ósseas, posicionamento inadequado
de língua e lábios, alterações na degluti cão, fala e respiração.
As conseqüências dependerão da
posição que ocupam os dedos, da duração e da freqüência na repetição do hábito,
do tipo de tecido ósseo sobre o qual atua e do padrão de crescimento facial.
Algumas más-oclusões resultantes
podem se corrigir por si mesmas quando o hábito desaparece antes dos cinco
anos, mas como proceder para retirá-lo?
Inicialmente devemos levar em
conta que, se a criança tem realmente o hábito è porque tem necessidade
psicoemocional deste ato e sua abrupta remoção pode induzir ao aparecimento de
tendências anti-sociais muito mais difíceis de conviver do que o próprio hábito
(Freud).
É necessário, portanto, uma
avaliação cuidadosa do momento que está sendo vivido pela criança. Por exemplo,
não se deve interferir na retirada, quando a família espera a chegada de um
novo filho ou após a separação dos pais.
É imprescindível a estimulação
da sucção e mastigação para exercitar a
musculatura, através do uso de canudinho e fornecimento de alimentos duros.
Pode-se tentar pintar os dedos ou
as unhas ou ainda trocar por um objeto desejado.
Seja qual for a técnica
utilizada, nunca devemos esquecer a conscientização da criança e o respeito com
que ela merece ser tratada. Quando empregamos castigo ou outras medidas
severas e absurdas contra suas
atividades, estamos castigando algo que faz parte dela. Em certo sentido, o que
estamos rejeitando é a própria criança.