Chupeta... Necessidade da criança ou dos pais?
A chupeta parece ser um costume totalmente arraigado a nossa cultura. Quando a mulher está grávida, é natural incluir a chupeta no enxoval do bebê.
Não se compra quando precisa; compra-se antes, porque, “com certeza”, o bebê irá precisar.
As bonecas já vêm com chupetas, mamadeiras e até com os polegares enfiados na boca!!! Algumas mães cujos filhos recusam a chupeta, chegam a insistir em seu uso e até se preocupam com o fato deles não quererem.
Incoerentemente, mais tarde, fazem de tudo para que a criança largue a chupeta. Então, quem precisa realmente dela? Por que as mães oferecem a chupeta a seus filhos? Parece que a grande maioria nem sabe o porquê; justificam, principalmente como uma maneira de acalmar o bebê.
Poucos refletem sobre o motivo pelo qual seus bebês precisam ser acalmados. Pouco se fala sobre a importância da relação da mãe com seus bebês para o desenvolvimento mental e emocional da criança. Se essa relação for suficientemente boa, talvez o bebê necessite menos de sua chupeta.
A chupeta é geralmente oferecida ao bebê quando ele está chorando. Mas, por que ele chora? Segundo Winnicott (l982), o choro é um exercício corporal importante e um recurso próprio que a criança aprende a usar para lidar com as dificuldades.
Nós não deveríamos, portanto, tentar impedir o choro do bebê, mas sim mostrar que estamos próximos e tentarmos definir o motivo do choro.
Quando a ansiedade é muito grande e o bebê chora desesperadamente, o melhor que a mãe tem a fazer é pegá-lo no colo e confortá-lo, até que se acalme.
Quando a mãe não pode fazer isto, a chupeta pode ser oferecida ao bebê, porém, ela nunca será um substituto para o verdadeiro conforto, que é a presença carinhosa e compreensiva da mãe.
A chupeta oferecida deve ser ortodôntica por se adaptar melhor à boca do bebê e assemelhar-se à sucção no seio materno. Deve ser introduzida devagar, em contato com os lábios, estimulando o reflexo da sucção. Não devemos largar a chupeta na boca do bebê; devemos segurá-la, puxando-a um pouco para trás, como se fossemos retirá-la.
O ideal é fazermos isto algumas vezes, até que a sua necessidade de sugar seja satisfeita e sua musculatura oral trabalhe o suficiente para que a criança se canse, largando a chupeta e dormindo.
É fundamental que os pais não reintroduzam a chupeta na boca do bebê, a fim de não torná-la um hábito. Assim, por volta dos dois anos, poderá ser retirada sem dificuldade.
Sugar é normal e importante; a permanência do hábito é que pode atrapalhar o alinhamento dos dentes, causar flacidez na musculatura, impedir a correta movimentação da língua e favorecer a respiração bucal, além de contribuir para uma auto-imagem negativa.
Vale lembrar que os danos que podem ocorrer são resultantes da combinação de fatores como frequência, intensidade e duração do hábito e sua relação com o padrão de crescimento de cada indivíduo.